Menos que formigas

27 10 2009

O estado português vai dar mais 1000 milhões de euros ao BPN. O crime compensa mesmo. Depois de uma gestão criminosa cheia de laços à classe política essa mesma classe política quer salvar os amigos (e sabe-se lá quantos segredos bem escondidos nos arquivos…). Isto confirma o que todos sabemos sobre os negócios de grande dimensão em Portugal, só funcionam quando estão em conluio com políticos – uma velha tradição que herdámos do Salazarismo foi o hábito das maiores empresas privadas estarem recheadas como colmeias de antigos políticos.

wealthy reception

As pessoas que contam neste sistema

Isto só por si já seria escandaloso mas combinado com uma atitude contabilística que vai forçar 40000 idosos a passar fome passa a ser criminoso. Como é possível que se pague milhares de milhões aos amigos e não haja um cêntimo para impedir milhares de pessoas vulneráveis de viverem de forma indigna e dolorosa? A resposta está na atitude das elites portuguesas: alguns jornalistas chave, a liderança partidária e o topo da classe empresarial formam um conjunto que se considera à parte do resto das pessoas. Acho que na mente destas pessoas nem pertencemos todos à mesma espécie. O sofrimento das pessoas não é registado moralmente porque afinal de contas não somos plenamente humanos nas mentes destas pessoas.

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As duas Igrejas, uma católica outra socialista

26 10 2009

Vivem uma da outra, o PS lança temas para a praça pública para aquecer os reaccionários (especialmente o casamento homossexual) em vez de o aprovar de imediatamente, como aliás é obrigação depois da campanha que tiveram, arrasta a coisa na praça pública para vender a sua imagem progressista. A Igreja agradece o destaque, que de outra forma não teria possibilidade de ocupar por tanto tempo, e aproveita para ver se recupera alguma influência – notável como uma instituição que insiste no seu direito de fazer as coisas da sua forma sem interferência exterior está sempre pronta a meter o nariz na vida dos outros (não choca, já nos habituaram à hipocrisia constante, mas irrita). Se a coisa aquecer demais o PS vai para referendo recuando cobardemente como sempre faz nas alturas importantes alegando razões democráticas (a incoerência é que os direitos humanos não são passíveis de serem referendados) e se o tema gerar indiferença, como é provável, a Igreja joga a carta do credo minoritário perseguido – o facto de isto afectar pessoas que não são católicas passa-lhes convenientemente ao lado.

Agora ganho eu agora ganhas tu

Agora ganho eu agora ganhas tu

Duas Igrejas, duas hierarquias, dois estilos de manipulação e em ambas um interesse nulo pelo bem estar das pessoas a quem esta legislação irá afectar e pela esmagadora maioria das pessoas que não têm opinião sobre o tema porque, correctamente, acham que não lhes diz respeito.





O bom cínico

25 10 2009

Como bom cínico tenho mais que um saudável desprezo pelas normais morais e sociais que nos querem impor socialmente. Só um tonto aceita o que lhe é dito por perfeitos estranhos e nunca os questiona. Por isso não faço alarido quanto a sistemas políticos. É-me indiferente quais são os títulos dos governantes. O importante é assegurar a dignidade humana de todos os cidadãos e o seu direito a uma vida justa. É por isso que qualquer sombra de autoritarismo e moralismo deixam-se logo de “orelha levantada”. Cada um sabe de si e mais nada. Eu sou o juiz das minhas escolhas morais tal como das minhas opções de vida e qualquer tentativa de nos roubar esses direitos deve ser denunciada e combatida.

Foram avisados

Foram avisados

É por isso que quando leio notícias destas não me choco muito. As eleições em Portugal sempre foram dúbias. Desde a sua criação no século XIX que os magnatas locais manipulam e compram votos de forma a favorecer o candidato que lhes pode assegurar a estabilidade dos seus interesses. Hoje em dia as dúvidas permanecem. Quanto a quem está por detrás do financiamento. Quanto às carreiras dos políticos (fora e dentro do serviço público). Quanto ao poder que os eleitos devem ter (podem ser democráticos mas isso nãos os impede de cometerem erros ou de abusarem da sua posição) entre muitas outras coisas.

A verdade da coisa...

A verdade da coisa...

Para o homem inteligente o grande problema não está em decidir o sistema político. Nem em reparar nas pequenas corrupções inevitáveis num sistema mais ou menos livre. Está antes em ter a certeza que o poder que existe é o necessário para lidar com as situações (não dar poder que não resolve nenhum problema real e só serve para nos coagir) que surgem e em ter certeza que em linhas gerais os serviços comuns funcionam bem (implica a integridade de que os dirige). O resto são notas de rodapé.